domingo, 18 de janeiro de 2009

Carta a Lucy


Olá Lucy, como vc sabe eu trabalho como tradutor e intérprete de libras.

Em minha família tenho dois primos que são surdos. Um se chama Marcos (não sabe LIBRAS) e a outra se chama Sheila (Trabalha na Chocolate Garoto, ex-aluna da Oral

e Auditiva), por muito tempo convivi com eles, pois eram meus visinhos.

Marcos nasceu prematuro, mas a data de nascimento seria no mesmo dia que o meu, após sérias complicações de saúde, ele agora é bem oralizado, crescemos juntos. Após muito tempo fui convidado pela minha Igreja a participar de um curso de LIBRAS, no qual aprenderia como ensinar surdos que não dominam a L1 como língua materna. Uns dos instrutores foi Joaquim Caesar, que vc mesma conhece. Depois deste curso básico, senti de quem

precisava me profissionalizar como usuário da língua de sinais. A.... quase me esqueci, muitos me pergunto o porque do meu sinal ser primo, em acontece que quando fazio

o curso de libras, tínhamos de fazer apresentações do que aprendemos, com isso o meu grupo precisava apresnetar o tema família, no qual EU era o primo. Bem quando chegou a minha vez... eu fiz o primo, mas também dei uma baita rebolada junto com o sinal, com isso pegou... agora sou o primo que todos conhecem...

Passando-se um tempo, fiz um cursso de Tecnólogo em LIBRAS, na Univila, onde nossos professores foram Paulo André, Heloize, Tiago Intérprete, Felipe Girauld, e o Ad

emilson... otimos professores... e me formei.

Depois eu tentei o Prólibras, nas duas modalidades, que tb passei. E agora curso o Letras Libras.

Trabalho numa escola Bilingue da PMV, em Jardim Camburi - Vitória. Tenho aprendido muito com meus alunos.

Bem, agora vc já me conhece mais a fundo, foi bom te escreve

r... aguardo msg...

abraço de Primo Suricate.



sábado, 10 de janeiro de 2009

Carta ao Daniel



Em 1995, cursando o 2º ano do Magistério, fui convidada para estagiar na Escola Oral e Auditiva. Momento de muita expectativa, pois seria para mim o encontro efetivo com a LIBRAS, não sabendo eu que os alunos pouco ou quase nada usavam Libras.

Completamente alheia a abordagem educacional daquele ano na educação dos surdos, implorava para que me ensinassem alguns sinais. Assim iniciou a minha grande paixão.

Atualmente estou na Educação Infantil da prefeitura de Vitória, trabalhando na perspectiva da educação inclusiva e tendo como parceiros de trabalho dois grandes mestres: Flávio e Elisangela.

Considerando meu tempo na educação, minha trajetória está apenas começando. Concordando com Walter Benjamin “...o decisivo não é o prosseguimento de conhecimento em conhecimento, mas o salto que se dá em cada um deles.”
Abraço ao Daniel!

Esta foto, além de mostrar para vocês o Professor e instrutor ensinando sua Língua – LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) -, fez-me reportar à página 49 do livro “O vôo da Gaivota”, de Emmanuelle Laborit, onde tive a oportunidade de poder ler uma auto narrativa que vai de encontro com a fala da mãe de uma criança surda que está ao lado do instrutor participando da oficina com objetivo de romper com “linguagem umbilical”, introduzindo a Libras em suas vidas.

Em depoimento, esta mãe disse “Eu estou muito feliz, e meu filho também. Quando meu filho encontra com Flávio e Elisangela, seus olhinhos chegam a brilhar. Antes de conhecer esta escola e vocês, que participam do crescimento do meu filho, ficava muito preocupada. Até remédio controlado ele tomava. Hoje, vejo meu filho feliz e um futuro diferente para ele”. A mãe disse estas palavras com profundo sentimento de conquistas e alegrias onde o encontro com os professores/instrutores acredito ter se transformado em armas para derrotar as lembranças do passado recente, vislumbrando novas possibilidades, pois seu filho deixou de ser a única criança surda.

“... Alfredo era portanto surdo, sem aparelho,e, além do mais, era adulto.Creio que levei um pouco de tempo para compreender aquela tríplice estranheza. Ao contrário, compreendi imediatamente que não estava sozinha no mundo. Uma revelação imprevista. Um deslumbramento. Eu, que me achava única e destinada a morrer criança, como costumam imaginar que aconteceria ás crianças surdas, acabava de descobrir que existia um futuro possível, já que Alfredo era adulto e surdo”.(pg.49)


Carta para Zulma Fagundes


Olá Zulmaaa, fiquei mt feliz endereçar esse relato a vc e compartilha-lho com os demais colegas.
Costumo dizer que sou “bebê” nessa área, e qdo ouço experiências de algumas colegas fico fascinada. Mas penso que cada história, cada experiência tem a sua importância nessa rede de saberes e fazeres, que acabam se encontrando, se complementando, se entrelaçando.
Sabe amigah, qdo parei pra escrever essa carta, lembrei-me da primeira vez em que quis ser professora, será que toda menina sonha com isso??
Ser mãe, artista de TV, dançarina, modelo, professora...e outros
Lembro de morar num conjunto popular, casas todas iguais, novinhas, branquinhas. Gostava daquela brancura toda, mas também me incomodava, pois me lembrava hospital rsrsr. Chequei da escola toda eufórica, aprendi a fazer continha, e queria mt ensinar pro meu irmão. Fomos para o lado de fora da casa, passei no fogão à lenha, peguei carvão, subi num banquinho e ensinei continha pra ele....que delícia, escrever com carvão naquela parede branquinha. O problema foi qdo mamãe viu e papai chegou do serviço!
Você acha que adiantou???
Continuei, como uma brava professora numa missão ensinando a seus alunos, todos os dias. Qdo os coleguinhas iam em mha casa sugeria logo pra brincarmos de escolinha. Sofreram comigo! Ahaha

O primeiro contato que tive com surdo, eu estava no ensino médio. Vi uma menina bonita, que ficava pelos cantos da escola. Ela é “surda-muda”, era o que me falavam.
Eu queria ir até ela, queria tentar conversar, mas tinha medo.
Vê-la pelos cantos e sozinha me incomodava. Um dia, na saída da escola a vi conversando com outra pessoa, utilizando as mãos...fiquei encantada!!Olhava atentamente, tentando decifrar aqueles movimentos, gestos. Queria tanto saber o que era!!
Quando finalmente tomei coragem pra chegar até ela, o ano letivo havia terminado, não a vi mais, porém a imagem daquela menina se comunicando com as mãos nunca saiu da mha cabeça.


No ano seguinte, apareceu uma surda na igreja que eu estava freqüentando. Poucas semana depois iniciaram uma oficina de linguagem de sinais. È claro não perdi a oportunidade. Aprendi poucos sinais, tempos depois acabei esquecendo. E a surda mudou de igreja.
Alguns anos depois fui convidada para ir à Igreja Batista da P. do Suá, onde haveria uma apresentação de cantata das luvas, foi assim que me falaram. Fiquei encantada, dali pra frente coloquei na mha cabeça que queria aprender, então, fiz um curso ali mesmo naquela igreja.
Comecei um trabalho na igreja que freqüentava, chamei outras pessoas para fazerem o curso e assim o grupo foi crescendo, posteriormente recebemos a visita de uma surda, que acabou ficando, ela morava perto da igreja. Ela foi se envolvendo com as programações da igreja e não demorei muito para perceber que aquela menina, que estava na quarta série não sabia ler e sabia pouco de sua própria língua.
Iniciamos um trabalho com essa menina na igreja, em seguida a escola soube, e nos procurou querendo saber desse trabalho e pediu para fazermos na escola também.
Eu tinha outra profissão, o sonho de ser professora havia ficado no passado. Comecei fazer trabalho voluntário nessa escola e também receber incentivo de alguns professores e amigos para fazer faculdade. Lembro-me das conversas no salão perguntando pra Lú o que ela achava de fazer faculdade, trabalhar com surdos. Ouvia atentamente suas experiências do CEMEI enquanto escovava o seu cabelo. Vivia perguntando pra Mara (esposa do Pr.Stefan) como fazia tal música ou frase, metáfora em LIBRAS. Nunca esquecerei vocês!!!
Comecei a estudar e durante o período de faculdade fiz vários estágios tive várias experiências e várias amizades.
Hoje já estou formada faço pós graduação em LIBRAS – Educ. Inclusiva, trabalho no município da Serra, na sala de recursos (com Surdos) e em Vila Velha na educação de Surdos.

Ah! Quanto menina surda da escola, eu a reencontrei, hj ela está casada e tem um filho lindo. Fiquei muito feliz de recê-la e de poder conversar com ela usando a sua LIBRAS.


Abreijus
Nill Carone G.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Inclusão = Excusão? Por Graciele Marjana

Olá pessoal, achei esse acróstico excelente e resolvi compartilhar com vcs. O que vcs acham? Uma ssunto bem polêmico não?

I nserir no mesmo espaço o diferente o inominável...
N egar, desativar, ordenar a diferença...
C analizar e criar novos significados, novas formas de se manifestar...
L udibriar aquilo que nos perturba, conduzir para o silêncio...
U nificar a pluralidade, fazer surgir uma única realidade...
S egregar o outro nas diversas formas de camuflar sua diferença...
A niquilar o inominável trazendo-o para o lócus do governamento...
O mitir a cultura, a língua, a identidade e as formas de se fazer representar...

Ficam evidentes nesta transversalidade os atravessamentos produzidos pelas técnicas de controle e de vigilância postas em operação pela maquinaria escolar frente à discursividade inclusiva exposta na vitrine dos planejamentos e políticas educacionais.

Autora: Graciele Marjana- professora especialista em deficientes da audiocomunicação pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria-RS)
fonte: http://memoriasnaeducacaodesurdos.blogspot.com

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Recortes de uma vida

Me senti à vontade para colocar aqui um pedacinho da minha história.
Sou mãe de uma garota surda e minha professora particular, com ela conheci novos surdos e pessoas que estão as voltas com eles.
Minha participação nesse cenário começa assim: Fiquei grávida aos19 anos e depois de 4 dias de ter completado 20 anos nasce minha filha linda, nunca imaginei que ela seria surda e que eu viveria depois de muitos anos no meio de pessoas que estão me ensinando muito sobre a vida.
Mas voltando, Ela nasceu um bebê fofo, lindo e foi crescendo mas quando tinha por volta de10 meses algo me assustou na verdade um gato que pulou do telhado na varanda da casa se minha amiga e minha filhota nem se mexeu com o grito que dei.
Epa! tem algo errado aí. Fomos ao pediatra e ele depois de testes e mais testes nos encaminhou para São Paulo onde minha família mora ,já que na cidade que morávamos não tinha os recursos necessários para aquela constatação que eu imaginava era só 50%
Em 1994 , alguns meses depois daquele grito veio o resultado de um médico ríspido e mal educado sua filha é SURDA BILATERAL nunca vai ouvir e não tem nada que possamos fazer por ela.
Que choque, quase desmaiei com ela nos braços, mas tinha que encontrar forças para contar isso "por telefone" para o pai dela e para o resto da família que aguardava o resultado dos exames. Não foi fácil, apesar de todos dizerem que era mentira e que os médicos estavam loucos fui à luta e conclui o magistério com ela todos os dias na sala de aula.
Sabia que não podia nem pensar em trabalhar naquele momento assim a vontade de entrar numa sala de aula para dar aula era inaceitável e impossível, a vida a partir de então era Escola Oral e Auditiva, otorrinos, bera ,fono e terapias.E assim se passaram 13 anos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Saudades dos encontros

LU ESTOU COM SAUDADES DO GRUPO, ESPERO VOLTAR LOGO,GOSTO DAS CONVERSAR, TROCAS DE EXPERIÊNCIAS,DEBATES SOBRES OS TEXTOS ISTO FAZ MUITO BEM PARA O MEU DIA-A-DIA, CONHECER PESSOAS NOVAS,FAZER NOVAS AMIZADES,E VC É MAIS UMA DESSAS PESSOAS ESPECIAIS, GOSTEI MUITO DE CONHECER VC ESPERO PODER PARTICIPAR MAIS DOS ENCONTROS,VOU ME ESFORÇAR O MÁXIMO PARA QUE ASSIM POSSA SURPREENDER A VC E A MIM TMBM, POIS LIBRAS PARECE FÁCIL MAS É COMPLICADA COMO O ESPANHOL, O INGLÊS E ATÉ MSM O PORTUGUÊS, TEM SEUS DESAFIOS A SEREM VENCIDOS, MAS JUNTOS VAMOS CONSEGUIR VENCÊ-LOS UM A UM, BJS E MUITA PAZ EM SEU CORAÇÃO NESSE ANO QUE SE INICIA, CURTA MUITO SUA FAMÍLIA,BEIJE E DEIXE SER BEIJADA, AME E DEIXE SER AMADA,SEJA FELIZ,VC É ESPECIAL.

TELMA.......CORUJINHA.......

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Carta a Lucyenne Matos

O que me motivou a fazer o curso de Libras, em primeiro lugar foi a minha curiosidade a respeito desta língua.
Tudo me era interessante, curioso, e me encantava a possibilidade de falar com as mãos. Não sabia sobre a existência deste curso, quando soube a respeito, prontamente me escrevi. Mas até então, passava pela minha cabeça que este curso se fundamentava somente no básico, veio ai então a minha surpresa, pois este era um curso modular, a partir daí o meu interesse aumentou, e assim me inscrevi para o intermediário e sucessivamente para o avançado.
Após concluir o curso, fiquei sabendo de vaga para intérprete em uma escola estadual. Visto que a lei 10.436, regulamenta a LIBRAS como língua oficial dos surdos e o decreto 5.626 veio fortalecer esta lei e em um de seus artigos explicita a necessidade do intérprete de língua de sinais em sala de aula, acreditei na possibilidade de me inserir neste mundo.
Para minha surpresa fui classificada, neste momento me foi apresentado o desafio, e sem a noção do peso da responsabilidade, aceitei ainda com receio esta vaga.
Pensei que assim como a língua é linda, a experiência também seria. Ledo engano.
Fui feliz e sorridente imaginando que tudo seria um mar de rosas.
Mas como nem tudo são flores, a realidade deve de ser enfrentada e de frente. Ao chegar à escola, percebi que muito havia a fazer; professores e corpo docentes despreparados eu também inexperiente, só fazia com que o serviço aumentasse.
A principio, os alunos foram bem resistentes, indisciplinados, desinteressados e sem motivação de reagir ao novo método que lhes era apresentado, pois para todos a inclusão era algo bem distante e novo.
Com eles pude aprender a ser mais paciente que o habitual, a ser inovadora e acima de tudo perseverante.
A inclusão ainda é uma espécie de utopia, e devido a isso todos os que estão no processo de “inclusão” sofrem, por exemplo, ouvi muitas criticas, insultos e até apanhei dos alunos, incidentes estes que me incitavam a desistir, mas também me levava a uma reflexão sobre a minha responsabilidade como educadora.
Pude compreender que, para eles também estava sendo difícil, pois tudo era novo e para eles, o fato de ter que se concentrarem em alguém era constrangedor, portanto fomos nos incorporando a um processo de aprendizado mutuo.
Com o tempo eles puderam aprender que a escola regular é diferente da Escola Especial onde na Escola Regular, possui regras, normas onde devem ser respeitadas e ter a consciência que ali eles devem respeitar seus colegas, seus professores, funcionários não que na Escola Especial não haja regras, normas que devem ser respeitadas, mas tem uma diferença de que eles vivem o seu mundo, sua vida, tem sua liberdade no ensino especial e no ensino regular, não é bem assim por isso estranho esse mundo novo, cheio de diferenças, aprendizagens.
Em relação às disciplinas, a sala de aula, foi um desafio imenso que torna gratificante quando vejo que todos estão ali se esforçando, aprendendo e que o trabalho da intérprete não está em vão. Trabalho difícil? Sim!!! Juntamente com a professora o meu trabalho não fica somente na interpretação, mas também ensino, e tenho que fazer isso de forma dinâmica, organizada, criativa, a fim de tornar o aprendizado prazeroso.
O trabalho da Intérprete do Ensino fundamental do (1º ano ao 5º ano) é completamente diferente da Intérprete do ensino médio de (1º ao 3º ano), pois “nossos alunos” chegam à escola como uma folha em branco e isso requer uma metodologia diferenciada por parte de todos o que lidam com essa nova modalidade de educação que é a inclusiva. Faz-se necessário algumas vezes a confecção de atividades, joguinhos, orientamos até mesmo os professores em relação ao aprendizado das crianças surdas, o que podemos facilitar para que ela desenvolva o seu aprendizado de maneira prazerosa,e assim possibilite uma aprendizagem mais tranqüila por parte dos alunos. Em uma escola onde todos reclamavam dos surdos, no seu 1º ano de Inclusão era angustiante ouvir que só os surdos batiam, brigavam, chamavam os pais para reuniões, eram reclamados e até mesmo suspensos! Era perceptível na expressão de cada um, sua tristeza, os olhinhos cheios de lágrimas dizendo por que isso? Não tivemos culpa sozinhos os ouvintes também estavam juntos. Mas pelo simples fato deles não ouvirem vinha sempre a discriminação...
Um ano se passou de luta, de muito trabalho, mas vencido o trabalho da professora juntamente com a da Intérprete, trabalho árduo, que dependia somente da gente para eles aprenderem com várias atividades de alfabetização, joguinhos, vocabulários e os surdos aceitando, uns aprendendo mais que os outros e até mesmo brigando, questionando que foi a culpa da intérprete por ele ter errado na prova, o seu não aceitar que fez sua tarefa errada e que teria que desmanchar e corrigir novamente, o saber fazer uma questão na prova e a atenção no coleguinha do lado que estava com dificuldade, e ele então ia à sua carteira de maneira sutil e dava a resposta porque não queria que ele errasse, a amizade era notória na turma. Ao longo de um ano eles aprenderam a ser críticos, autônomos, e capazes de conviver de forma harmônica.
Ao entrar no segundo ano da escola, onde nada era mais novo, tudo continuava da mesma forma, vimos os surdos chegando juntos e cada um dando o abraço, o sorriso nas Intérpretes, como foi lindo de ver isso!! E passando os dias, não ouvia mais que os surdos estavam brigando, pegando merenda de mais ninguém, para os funcionários que sempre reclamavam só víamos elogios, parabéns, abraçando cada um deles e até mesmo defendendo eles. Os surdos ajudando na escola, separando briga, correndo atrás da intérprete e falando que os meninos entraram na sala e estavam bagunçando.
Na sala de aula? O comportamento? É de admirar, de dar parabéns!!! Os que antes passeavam na sala, hoje eles ficam sentadinhos, conversando, contando o que aconteceu no fim de semana, no seu dia, mas tudo na harmonia... As atividades? Que gracinha de ver!!!! Fazem tudo, perguntam, e não importam se erram, sabem que se errarem vão fazer novamente e irão aprender, se o outro não sabe ou até mesmo está com dificuldade eles vão ensinar, mas não falam mais que o outro não sabe que é burro...
Para a escola, professores, intérpretes é gratificante ver essa nova cena, saber que o primeiro ano foi de luta constante, e hoje vemos que o trabalho que era de muito sacrifício, está tranqüilo. É preciso ter paciência, coragem, perseverança e acreditar que o que hoje é difícil, amanhã isso se tornará a coisa mais simples, como o vôo dos pássaros, um vôo demorado, mas com a certeza de que poderá atingir os mais altos céus.

Bjs.
Érika.













sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

CARTA A REGINA MARTINS...

Rê..desculpe a intimidade, mas vc é especial por estar conosco espero aprender muito com vc,amiga, sou professora de ensino fundamental, adoro trabalhar com eles, neste ano que se passou tive a oportunidade de trabalhar novamente com um aluno surdo,em um sala de 25 crianças...confesso no começo fiquei apavorada, pois minhas esperiências com alunos surdos não tinha sido das melhores,levantei a cabeça, sacudi a poeira e fui a luta, procurei alguém que pudesse me ajudar, para que assim pudesse ajudar aquela criança,e consegui,,foi dificil no inicio,mas depois encontrei Renata que foi um anjo em minha vida e ajudou muito o crescimento de meu trabalho com Renan,sou muito grata, em alguns momentos fico estática no curso, meio sem saber o q fazer, pois minha prática em libras é pouca, mas vou continuar correndo atrá e buscando sempre aprender mais e mais. Olha só sou formada em Português/Espanhol, tenho Pós graduação em Psicopedagogia e em Gestão Escolar e o aprendizado em Libras só vem acrescentar em minha vida pessoal e profissional,fiz alguns amigos surdos espero fazer mais amizades ainda,bjs no coração e até o próximo encontro.Vc é uma pessoa que ainda não conheço, mas no decorrer dos encontros podemos nos aproximar mais e tornarmos grandes amigas.

Que os olhos do senhor esteja sempre atentos a vc por ser tão especial, e que a luz do sorriso de Deus revele sempre a Ti.

Diário - recortes -


Parte 1

Conheço a trajetória de algumas professoras, li as que estão postadas, e a cada uma que leio fico imaginando as cenas na minha cabeça...rsrsr...daria um belo filme. Onde no decorrer do filme os personagens se encontravam, as histórias se interligavam, formando uma grande teia. Pensando bem, não é isso que acontece, ou está acontecendo?? E esse curso também nos possibilita isso, de alguma forma fazer parte da história de alguém, ou esse alguém da minha, e assim tecer uma grande teia de saberes e fazeres. Não que isso só acontece agora, mas é esse o momento que isso fica claro pra mim, na verdade, escrevendo esse texto, fico imaginando tantas pessoas (palestrantes, professores, intérpretes, surdos, alunos...) que conheci (em congressos, seminários, encontros, igrejas, escolas...) que tiveram GRANDE importância, ou não na minha vida.
Mas, grande ou não, elas nos deixam marcas, e pensando nas marcas que elas nos deixam faz-me refletir sobre as marcas que também deixo nelas. Penso que todos nós deveríamos refletir sobre isso.
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De vez em quando alguém me pergunta se tenho alguém na família surdo, se espantam quando respondam que não. Pra eles, ter alguém na família justificaria a minha opção por essa área. Sempre respondo, “foi amor a primeira vista, ou ao primeiro sinal” e acabo (quando me perguntam) contando um pouco da minha trajetória, claro que resumidamente, como tentarei fazer aqui.

Terei que deixar a fala da mha trajetória pra outro momento.

Hoje dia 26-12-08, 8h25m, estou deitada, ainda cansada por causa da ceia....enfim..., o celular toca, uma voz feminina se identifica, enquanto uma voz masculina repete o meu nome pra essa mulher.
- Meu nome é Lúcia, pediram pra te ligar, pra te informar que o Sr. Pedro Garcia Filho faleceu, e que o sepultamento será no cemitério de Maruípe, às 13h.
Ainda meio sonolenta, perguntei: Quem? O que?
- Pedro, que foi aluno do curso de LIBRAS lá na escola Oral e Auditiva...(respondeu)
Estávamos lá, eu e Flávio (instrutor), aguardando os alunos chegarem para o primeiro dia de aula do curso de LIBRAS. Chegaram, Pedro(57) e José, um tio do outro, qual era o tio?? Sempre me confundia!! Aproximaram-se da mesa para fazer a inscrição e começamos a conversar sobre o que os motivara a fazer o curso.
Disseram que estavam ficando surdos e perdendo a visão também, tinham uma síndrome que acometia membros da família, e os médicos ainda não sabia o nome d doença, só diziam que com o tempo ficariam completamente surdos e cegos.
Dentre tantos problemas que nos relataram decorrentes aos fatos, fiquei impressionada com a vontade deles em aprender, em buscar informações que os ajudassem a enfrentar os problemas pelas quais estavam passando. Eram alunos presentes, sempre alegres, bem humorados e adoravam a hora do recreio.
Sentimo-nos desafiados a ensinar os dois. Teria que ser uma estratégia diferente?Qual?Em que espaço-tempo? Tivemos que pensar sobre isso.
Experiências...tentativas...angústia...impaciência...esperança...e muitas conversas e risos marcavam nossos momentos.
Lúcia, a mulher que me ligou, disse que foi algo repentino, começou a perder as funções do esôfago, se engasgava com uma colher de água, os médicos disseram que se tratava de atrofia cerebral. E que três pessoas da família já morreram assim.
Intrigante, triste...que história dessa família!!!
Estava aqui pensando sobre o que acabara de escrever, sobre deixar marcas, ou seja, fazer a diferença, na vida das pessoas.
Acredito, que eu como professora ou amiga, tenha feito a diferença na sua vida, tenha deixado marcas, pois tu deixaste na minha.
Um abraço meu amigo, vá em paz!
(Sr. Pedro - blusa azul, bigode, de óculos)