sábado, 10 de janeiro de 2009

Carta ao Daniel



Em 1995, cursando o 2º ano do Magistério, fui convidada para estagiar na Escola Oral e Auditiva. Momento de muita expectativa, pois seria para mim o encontro efetivo com a LIBRAS, não sabendo eu que os alunos pouco ou quase nada usavam Libras.

Completamente alheia a abordagem educacional daquele ano na educação dos surdos, implorava para que me ensinassem alguns sinais. Assim iniciou a minha grande paixão.

Atualmente estou na Educação Infantil da prefeitura de Vitória, trabalhando na perspectiva da educação inclusiva e tendo como parceiros de trabalho dois grandes mestres: Flávio e Elisangela.

Considerando meu tempo na educação, minha trajetória está apenas começando. Concordando com Walter Benjamin “...o decisivo não é o prosseguimento de conhecimento em conhecimento, mas o salto que se dá em cada um deles.”
Abraço ao Daniel!

Esta foto, além de mostrar para vocês o Professor e instrutor ensinando sua Língua – LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) -, fez-me reportar à página 49 do livro “O vôo da Gaivota”, de Emmanuelle Laborit, onde tive a oportunidade de poder ler uma auto narrativa que vai de encontro com a fala da mãe de uma criança surda que está ao lado do instrutor participando da oficina com objetivo de romper com “linguagem umbilical”, introduzindo a Libras em suas vidas.

Em depoimento, esta mãe disse “Eu estou muito feliz, e meu filho também. Quando meu filho encontra com Flávio e Elisangela, seus olhinhos chegam a brilhar. Antes de conhecer esta escola e vocês, que participam do crescimento do meu filho, ficava muito preocupada. Até remédio controlado ele tomava. Hoje, vejo meu filho feliz e um futuro diferente para ele”. A mãe disse estas palavras com profundo sentimento de conquistas e alegrias onde o encontro com os professores/instrutores acredito ter se transformado em armas para derrotar as lembranças do passado recente, vislumbrando novas possibilidades, pois seu filho deixou de ser a única criança surda.

“... Alfredo era portanto surdo, sem aparelho,e, além do mais, era adulto.Creio que levei um pouco de tempo para compreender aquela tríplice estranheza. Ao contrário, compreendi imediatamente que não estava sozinha no mundo. Uma revelação imprevista. Um deslumbramento. Eu, que me achava única e destinada a morrer criança, como costumam imaginar que aconteceria ás crianças surdas, acabava de descobrir que existia um futuro possível, já que Alfredo era adulto e surdo”.(pg.49)


3 comentários:

  1. Essa história é muito boa! Que bom que a mãe aceitou né Di. Que bom! Parabéns pelo seu belíssimo trabalho.

    ResponderExcluir
  2. Só faltou vc assinar a carta né querida... hahahah

    ResponderExcluir
  3. Poxa! Li,reli, até a "ficha" cair e descobrir quem escreveu....da proxima vc assina tá Sra.Diolira! bjins

    ResponderExcluir