sábado, 10 de janeiro de 2009

Carta para Zulma Fagundes


Olá Zulmaaa, fiquei mt feliz endereçar esse relato a vc e compartilha-lho com os demais colegas.
Costumo dizer que sou “bebê” nessa área, e qdo ouço experiências de algumas colegas fico fascinada. Mas penso que cada história, cada experiência tem a sua importância nessa rede de saberes e fazeres, que acabam se encontrando, se complementando, se entrelaçando.
Sabe amigah, qdo parei pra escrever essa carta, lembrei-me da primeira vez em que quis ser professora, será que toda menina sonha com isso??
Ser mãe, artista de TV, dançarina, modelo, professora...e outros
Lembro de morar num conjunto popular, casas todas iguais, novinhas, branquinhas. Gostava daquela brancura toda, mas também me incomodava, pois me lembrava hospital rsrsr. Chequei da escola toda eufórica, aprendi a fazer continha, e queria mt ensinar pro meu irmão. Fomos para o lado de fora da casa, passei no fogão à lenha, peguei carvão, subi num banquinho e ensinei continha pra ele....que delícia, escrever com carvão naquela parede branquinha. O problema foi qdo mamãe viu e papai chegou do serviço!
Você acha que adiantou???
Continuei, como uma brava professora numa missão ensinando a seus alunos, todos os dias. Qdo os coleguinhas iam em mha casa sugeria logo pra brincarmos de escolinha. Sofreram comigo! Ahaha

O primeiro contato que tive com surdo, eu estava no ensino médio. Vi uma menina bonita, que ficava pelos cantos da escola. Ela é “surda-muda”, era o que me falavam.
Eu queria ir até ela, queria tentar conversar, mas tinha medo.
Vê-la pelos cantos e sozinha me incomodava. Um dia, na saída da escola a vi conversando com outra pessoa, utilizando as mãos...fiquei encantada!!Olhava atentamente, tentando decifrar aqueles movimentos, gestos. Queria tanto saber o que era!!
Quando finalmente tomei coragem pra chegar até ela, o ano letivo havia terminado, não a vi mais, porém a imagem daquela menina se comunicando com as mãos nunca saiu da mha cabeça.


No ano seguinte, apareceu uma surda na igreja que eu estava freqüentando. Poucas semana depois iniciaram uma oficina de linguagem de sinais. È claro não perdi a oportunidade. Aprendi poucos sinais, tempos depois acabei esquecendo. E a surda mudou de igreja.
Alguns anos depois fui convidada para ir à Igreja Batista da P. do Suá, onde haveria uma apresentação de cantata das luvas, foi assim que me falaram. Fiquei encantada, dali pra frente coloquei na mha cabeça que queria aprender, então, fiz um curso ali mesmo naquela igreja.
Comecei um trabalho na igreja que freqüentava, chamei outras pessoas para fazerem o curso e assim o grupo foi crescendo, posteriormente recebemos a visita de uma surda, que acabou ficando, ela morava perto da igreja. Ela foi se envolvendo com as programações da igreja e não demorei muito para perceber que aquela menina, que estava na quarta série não sabia ler e sabia pouco de sua própria língua.
Iniciamos um trabalho com essa menina na igreja, em seguida a escola soube, e nos procurou querendo saber desse trabalho e pediu para fazermos na escola também.
Eu tinha outra profissão, o sonho de ser professora havia ficado no passado. Comecei fazer trabalho voluntário nessa escola e também receber incentivo de alguns professores e amigos para fazer faculdade. Lembro-me das conversas no salão perguntando pra Lú o que ela achava de fazer faculdade, trabalhar com surdos. Ouvia atentamente suas experiências do CEMEI enquanto escovava o seu cabelo. Vivia perguntando pra Mara (esposa do Pr.Stefan) como fazia tal música ou frase, metáfora em LIBRAS. Nunca esquecerei vocês!!!
Comecei a estudar e durante o período de faculdade fiz vários estágios tive várias experiências e várias amizades.
Hoje já estou formada faço pós graduação em LIBRAS – Educ. Inclusiva, trabalho no município da Serra, na sala de recursos (com Surdos) e em Vila Velha na educação de Surdos.

Ah! Quanto menina surda da escola, eu a reencontrei, hj ela está casada e tem um filho lindo. Fiquei muito feliz de recê-la e de poder conversar com ela usando a sua LIBRAS.


Abreijus
Nill Carone G.

2 comentários:

  1. Puxa Nill, amei sua carta! Parece que lembro das nossas conversas. Vc escreve muito bem!

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  2. Sra. Nill Gianechini,

    Adorei as histórias d qdo vc era criança, riscando as paredes. Naquela época ainda não tinha tinta suvinilsaí td lavando. Coitada d vc ficava horas limpando a parede kkkk. Vc era sapeca, e não mudou mt ahahha.
    Não kero q meu netinhu leia, acabei d pintar a casa.
    Tô escrevendo a carta pra vc...

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