quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Recortes de uma vida

Me senti à vontade para colocar aqui um pedacinho da minha história.
Sou mãe de uma garota surda e minha professora particular, com ela conheci novos surdos e pessoas que estão as voltas com eles.
Minha participação nesse cenário começa assim: Fiquei grávida aos19 anos e depois de 4 dias de ter completado 20 anos nasce minha filha linda, nunca imaginei que ela seria surda e que eu viveria depois de muitos anos no meio de pessoas que estão me ensinando muito sobre a vida.
Mas voltando, Ela nasceu um bebê fofo, lindo e foi crescendo mas quando tinha por volta de10 meses algo me assustou na verdade um gato que pulou do telhado na varanda da casa se minha amiga e minha filhota nem se mexeu com o grito que dei.
Epa! tem algo errado aí. Fomos ao pediatra e ele depois de testes e mais testes nos encaminhou para São Paulo onde minha família mora ,já que na cidade que morávamos não tinha os recursos necessários para aquela constatação que eu imaginava era só 50%
Em 1994 , alguns meses depois daquele grito veio o resultado de um médico ríspido e mal educado sua filha é SURDA BILATERAL nunca vai ouvir e não tem nada que possamos fazer por ela.
Que choque, quase desmaiei com ela nos braços, mas tinha que encontrar forças para contar isso "por telefone" para o pai dela e para o resto da família que aguardava o resultado dos exames. Não foi fácil, apesar de todos dizerem que era mentira e que os médicos estavam loucos fui à luta e conclui o magistério com ela todos os dias na sala de aula.
Sabia que não podia nem pensar em trabalhar naquele momento assim a vontade de entrar numa sala de aula para dar aula era inaceitável e impossível, a vida a partir de então era Escola Oral e Auditiva, otorrinos, bera ,fono e terapias.E assim se passaram 13 anos.

3 comentários:

  1. Lil, que legal. Amo sua história. Depois vc conta pra gente como vc chegou a ser professora de surdos. E não tem nenhuma foto de vc com sua filhota linda? Pra gente conhecer. Bjs

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  2. Menina Lilian,"tomei um suto danado"não podia nem imaginar que a "nossa" grande/pequena simpática Rafa, tinha passando, ou melhor,vocês,por este situação.Viu! qdo falo que vc é uma guerreira,tenho razão! Vcs são um show a parte!a Rafa´é dmais!!!!!!!!!bjins Regina

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  3. Querida Lucyenne
    Fiquei hiper feliz em poder relatar um pouco de minha história a vc.
    Meus primeiros contatos com os surdos começou a mais de 15 anos, quando ainda lecionava para uma turma de Educação Infantil( no Rio de Janeiro). Em minha turma de 25 alunos, havia um aluninho que era surdo e sua família simplesmente não fazia nada em relação a um melhor acompanhamento, pois comunicavam-se por meio de gestos. Eu procurava envolvê-lo em meio aos outros alunos, conforme nos eram orientado pelos 'pedagogos',mas achava que todo meu esforço ainda era pouco, pois não tinha experiência nenhuma em trabalhar com uma turma, onde somente um aluno fosse surdo.
    Insatisfeita com aquela situação, procurei as orientadoras pedagógicas para explicar-me que inclusão era aquela que o governo propunha,e por que não capacitar os professores em Libras e com outras especialidades ? Então como resposta obtive o seguinte:"- Não se preocupe com isso, faça seu trabalho e quanto ao aluno surdo dê brinquedo p/ ele e deixe-o quieto num canto".
    Bem,aquelas palavras marcaram muito minha vida, pois senti-me uma professora pela metade, quero dizer só atendia a um determinado grupo de alunos, e quanto aos outros eu só enrolava( isto é o que nos é aconselhado até hoje em algumas escolas). Assim, foram se passando os meses e sem a menor explicação o aluno surdo foi retirado da escola sem terminar o ano letivo. Isto pode ter sido um alívio para aquela escola, porém cresceu dentro de mim um espírito de frustração
    Mas, minha inquietação em relação ao descaso das escolas motivou-me a procurar um curso de Libras( numa igreja Batista no RJ), contudo devido a pouco tempo e alguns contratempos tive que interromper os estudos. Passados 15 anos, mas sempre presente a vontade de conhecer melhor o mundo dos surdos e como poder atender melhor este público tão inquietante e fascinante.
    Eu não sabia que o melhor de minha vida estava por vir.
    Em janeiro de 2008,em um curso de pós graduação no CEFETES,algo chamou-me atenção , éramos uma turma de 30 alunos e somente 1 era surdo, e para que houvesse harmonia entre nós e atendê-lo em sua compreensão, havia duas excelentes intérpretes as quais passei a admirá-las muito, por serem tão eficientes e amigas.
    Daí, em meio as aulas e trabalhos científicos decidi que que precisava voltar a estudar e aprofundar-me mais em conhecer o mundo dos surdos.Sendo que para isso, precisava de alguns amigos surdos para orientar-me neste início de jornada.
    Preciso mencionar que a profªLúcia e sua sobrinha muito me ajudaram e ainda agradeço muito as amizades que fiz no CEFETES, pois foram fontes de inspiração e apoio.
    As duas intérpretes que menciono acima são minhas amigas Clarice e Nil.
    Hoje continuo lecionando para turmas regulares, ensino fundamental, médio, mas sempre que posso envolvo libras ás aulas.
    É isso aí minha tutora lindaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!! sua aluna Carmencita Garret. Kissesssssssssssssssssssss

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