sábado, 12 de dezembro de 2009

Libras- interessante

Sempre achei a lingua de sinais muito interessante e misteriosa e quando soube que teria a disciplina de libras no curso vi a oportunidade de conhecer melhor a lingua de sinais e entender muitas atitudes de Andréia, minha ex- vizinha surda. Na época eu achava muito intrigante o jeito que ela se comunicava com seus amigos surdos e conosco, pois quando falava com a gente na maioria das vezes sempre gritava e com seus amigos surdos usava sinais.

Eu não sabia quase nada de libras, conhecia somente o alfabeto porque Andréia me deu um papel que continha e me ensinou. Comunicar-me com Andréia era bem difícil na maioria das vezes eu escrevia, ou chamava minha mãe que se comunica muito bem com ela.

Embora tentasse compreende-la havia certos sinais e atitudes dela que para mim eram confusos e sem sentido, por exemplo, a forma que se referia a sua cunhada, ao invés de tratá-la pelo nome, Andréia quando queria falar da moça puxava uma mecha do cabelo e com este gesto sabíamos que ela se falava de sua cunhada, até porque quando começou a namorar a irmão da Andréia a jovem tinha uma mecha loira, mas que nem existia mais. No entanto com o aprendizado de libras essa forma de tratamento passou a fazer sentido para mim, sei agora que o modo como minha ex-vizinha caracterizava a cunhada é o sinal que os surdos atribuem.

A disciplina contribuiu muito para minha formação pessoal e profissional através das leituras e das explicações desconstrui conceitos antes tomados como verdades. Aprendi muitas coisas sobre a comunidade surda, suas conquistas quanto ao reconhecimento da língua de sinais como e suas lutas contra a discriminação e preconceitos da sociedade dita “normal”. Enfim tenho um novo olhar sobre o universo da surdez percebo hoje que surdos não são deficientes, mas são pessoas tão capazes quanto os ouvintes e sinceramente a cada dia meu encantamento aumenta e me sinto motivada a fazer um curso como tradutor.

Vejo que já aconteceram avanços significativos em relação à surdez, mas ainda existe muito a ser feito e cabe a nós futuros educadores nos mobilizarmos para que esses avanços efetivem e alcancem proporções maiores.

Kelly Ribeiro de Oliveira.
5º período- Pedagogia UFES

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