sexta-feira, 24 de abril de 2015

Pesquisa "Inclusão e Subjetivação Docente"

Estamos com um Grupo de Pesquisa em Libras e educação de surdos. Excelente grupo... Alunos melhores ainda. Os desdobramentos da pesquisa sobre as experiências docentes, se dá na ideia geral desse projeto: "Inclusão: Professores capixabas subjetivação docente" Segue um resumo e ideias gerais do projeto.

 Resumo: Este projeto de pesquisa é o desdobramento do projeto proposto e coordenado pela professora doutora Maura Corcini Lopes (GEPI/Unisinos/Cnpq) que objetiva aprofundar as discussões acerca da temática da inclusão escolar e social mais especificamente sobre os processos de subjetivação docente. Focalizando em como os professores se convertem às verdades que constituem a inclusão, entendendo essa como necessidade imperativa do Estado. Portanto, esta pesquisa se constitui junto a outras instituições de outros Estados a partir do interesse em conhecer os processos de subjetivação docente que ultrapassam aqueles constituídos nos cursos de formação de professores e por isso propõe investigar os desdobramentos das políticas públicas de inclusão na sociedade brasileira e seus efeitos nos processos de subjetivação dos docentes das escolas públicas brasileiras. No caso dessa pesquisa, vamos discutir os efeitos desses desdobramentos na subjetivação dos professores no Estado do Espírito Santo. A pesquisa em andamento já prevê as capitais, Vitória entre elas. Este desdobramento engloba professores do sul e do norte do Estado. Para tanto, empreenderemos uma análise arquegenealógica utilizando as ferramentas metodológicas da governamentalidade, normação, normalização e subjetivação na análise de dois grupos de materiais: o primeiro são as políticas de inclusão voltadas para educação inclusiva produzidas no Brasil durante as duas últimas décadas e no Espírito Santo, revendo documentos, movimentos e produções já realizadas. O segundo material é constituído pelas narrativas de docentes responsáveis em materializar essas políticas junto aos sujeitos historicamente marcados negativamente. Para análise, partir-se-á da perspectiva da inclusão como imperativo mobilizado pela escola e esta entendida como maquinaria moderna de objetivação e subjetivação dos indivíduos. E como meta, produzir dados capazes de subsidiarem novas políticas de inclusão e formação de professores.

 Palavras chave: Inclusão. Biopolíticas.Governamentalidade.Sujetivação

 Objetivo geral da pesquisa: - Conhecer, analisar e problematizar como as políticas e os saberes sobre a inclusão chegam aos docentes, capturando-os e fazendo-os operar sobre si mesmos e sobre os outros, segundo a lógica da inclusão.

 Objetivos específicos da pesquisa - Conhecer os desdobramentos das políticas de inclusão educacional entre os anos de 1990 e 2010 e problematizar os saberes que as constituem;
 - Conhecer e problematizar os conceitos de inclusão, exclusão e in/exclusão a partir das políticas de educação inclusiva, visando entender a emergência dos mesmos na atualidade;
 - Conhecer e problematizar as formas de subjetivação docentes que atuam na educação inclusiva; - Investigar como se constituem as subjetividades inclusivas docentes;
 - Explorar outros entendimentos sobre a inclusão e o envolvimento da escola nos processos inclusivos, bem como problematizar as formas de “condução das condutas” dos docentes, identificando as formas pelas quais eles contribuem para que o imperativo da inclusão se estabeleça e se reforce;

As perguntas que orientarão a investigação maior e que mobilizarão os pesquisadores dos Grupos de Pesquisa envolvidas neste projeto são:  - Que discursos sobre a inclusão e subjetivação docente aparecem nas políticas públicas de inclusão educacional (gestadas desde a década de 1990 até o final da década de 2010) no Brasil? Como os docentes nas distintas regiões brasileiras operam sobre si mesmos (e sobre os outros) diferentes tecnologias de governamento em ação na educação inclusiva? Ou seja, aqui no Estado do Espírito Santo, como tem operado o discurso da inclusão subjetivando profissionais da área tendo em vista que a política estadual aplicada diretamente é a política de inclusão.

 Metodologia: A pesquisa empreenderá uma análise arqueogenealógica (de inspiração foucaultiana) sobre as políticas públicas de inclusão, nos contextos educacionais brasileiros, entre os anos de 1990 e 2010, bem como sobre os efeitos dessas políticas na constituição de docentes atuantes em escolas públicas. Para tanto, a partir dos conceitos-ferramenta da governamentalidade, normação, normalização e subjetivação, realizar-se-á uma análise sobre dois grupos de materiais: um primeiro grupo constituído por políticas de inclusão educacional voltadas para a educação inclusiva; um segundo, constituído por narrativas de docentes de diferentes regiões do Brasil, responsáveis em articular ações de inclusão e de educar sujeitos historicamente marcados pela discriminação negativa, bem como por anotações em diário de campo e de filmagens quando o contexto da entrevista assim o exigir. As narrativas serão obtidas mediante o uso da técnica de entrevista aberta. As entrevistas poderão ser feitas presencialmente, se o Grupo obtiver recursos suficientes para a realização da investigação, ou online. Para tanto, recursos tecnológicos das Universidades envolvidas poderão ser atualizados e utilizados. As entrevistas abertas com docentes serão gravadas e posteriormente transcritas, de modo a documentar e examinar de quais modos a inclusão, considerada um imperativo de Estado, tem se imposto aos sujeitos, criando o que Menezes (2011) afirma ser subjetividades inclusivas nos docentes. As entrevistas serão realizadas com docentes de diferentes regiões do Brasil visando perceber diferenças nas compreensões acerca da inclusão, assim como diferenças nas formas de subjetivação de docentes atravessados por distintas histórias de vida. Para a realização das entrevistas o Grupo de Pesquisa buscará financiamentos para viagens e contará com todo o aparato tecnológico que permite a comunicação online. A opção pela entrevista aberta, como uma das formas de produção de dados, se deu pelo fato dela se constituir num eficiente instrumento que possibilita a obtenção de mais informações sobre o que já foi levantado na primeira parte da investigação e porque ela possibilita a captura de experiências articuladas pelos e nos sujeitos. Para Haguette (1997, p. 86), por meio da entrevista os pesquisadores podem obter dados não apenas objetivos, mas, também, subjetivos, capazes de mostrar como os sujeitos são capturados por uma forma de vida específica. A entrevista acontecerá mediante a introdução do tema “inclusão escolar” para o entrevistado discorrer livremente sobre o mesmo, expondo suas condições de aproximação ao tema e as práticas que ele julga serem inclusivas. O pesquisador interferirá o menos possível na narrativa do sujeito, visando obter maiores informações sobre como esse sujeito opera sobre si mesmo e sobre os outros (FOUCAULT, 2010b) para fazer valer o imperativo da inclusão. Os sujeitos da pesquisa serão docentes de escolas públicas atuantes em qualquer nível de ensino. Não serão definidos previamente o número de entrevistas a serem realizadas em cada região brasileira, pois isso dependerá da qualidade do que for sendo obtido, bem como as condições para a sua obtenção. Serão dois os critérios para a escolha dos docentes a serem entrevistados: que atuem em escolas públicas e que atuem em escolas localizadas nas cinco regiões brasileiras: Norte, Nordeste, Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Para o Espírito Santo a fim de atender a demanda nacional que a pesquisa faz parte, vamos pesquisar professores de escolas públicas do interior do Estado com a articulação entre São Mateus (campus CEUNES) e Alegre (CCA) por meio das professoras que lá se encontram. Tais critérios foram estabelecidos a partir de constatações feitas nas pesquisas anteriores e a partir da necessidade de pesquisas que objetivem conhecer a realidade brasileira considerando as suas diferenças regionais. Olhar para as diferenças regionais permitira conhecer as diferentes formas e investimentos da Nação para que nela seja naturalizada a inclusão como uma prática de vida. Após a efetivação das entrevistas, elas serão transcritas e categorizadas, para posterior análise e cruzamento de dados com aqueles que já tenham sido obtidos na análise das políticas. Os dados das políticas serão colocados no Sphinks (software que permite o cruzamento de dados quantitativos e qualitativos), de modo a facilitar a abordagem e a criação de categorias analíticas. A fim de agilizar a busca dos materiais e dar mais mobilidade aos pesquisadores em seu trabalho de campo, faz-se necessário o acesso à internet e um equipamento de apoio computacional capaz de armazenar os dados da pesquisa e as inúmeras tabelas que deles forem geradas. Além disso, serão utilizados gravadores durante as entrevistas presenciais e até online e filmagens de professores que autorizarem tal tipo de registro de dados.

 Referências:

 FOUCAULT, Michel. O Governo de si e dos outros. São Paulo; wmf martinsfontes, 2010a. 23 

FOUCAULT, Michel. O governo dos Vivos. Curso do Collège de France - 1979-1980 (Excertos). São Paulo: Centro de cultura social; Rio de Janeiro: Achiamé, 2010b.

FOUCAULT, Michel. Segurança, território e população. Curso no Collège de France: 1977-1978. São Paulo: Martins Fontes 2008a.

FOUCAULT, Michel. Ditos e escritos IV. Rio de Janeiro: Forense universitária, 2003.

HAGUETTE, Teresa Maria Frota. Metodologias qualitativas na Sociologia. 5a edição. Petrópolis: Vozes, 1997.

LOPES, Maura Corcini; HATTGE, Morgana Domênica (orgs). Inclusão escolar: conjunto de práticas que governam. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

LOPES, Maura Corcini; FABRIS, Eli Henn. Inclusão & Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2013.

Ó, Jorge Ramos do. O governo de si mesmo. Modernidade pedagógica e encenações disciplinares do aluno liceal (último quartel do século XIX- meados do século XX) Lisboa: Educa, 2003.

TARDIF, Maurice. Saberes docentes e formação profissional. Petrópolis: Vozes, 2002. 

VEIGA-NETO, Alfredo. LOPES, Maura Corcini. Gobernamentalidade, biopolítica e inclusão. In: SALCEDO, Ruth Amanda Cortez. DIAZ, Dora Lilia Marin. (org). Gubernamentalidad y educación. Discusiones contemporâneas. Bogotá: IDEP, 2011.

VEIGA-NETO, Alfredo. Coisas do governo. In: RAGO, Margarete. Orlandi, Luiz. VEIGA-NETO, Alfredo. (org). Imagens de Foucault e Deleuze: ressonâncias nietzschianas. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. pp. 13-34.